CANDOMBLÉ VEGETARIANO
Lya Senzaruban aos 14 anos tornou-se mãe-de-santo.
Vegetariana há 25 anos, há 17 faz Candomblé
Vegetariano. No Sri Lanka entrou no culto a Krishna e Shiva
e acabou descobrindo uma forma para substituir os animais
em sua alimentação e nos rituais.
Excertos de entrevista concedida por
ela, no site da ANDA:
“Eu estou escrevendo um livro a
respeito do candomblé vegetariano e também
dou cursos e palestras sobre isto. Assim como eu, tem muita
gente que é do candomblé e que não
gosta da matança e se sente meio acuada. Tem gente
que adora, gosta, ama os orixás, admira o ritual
que é muito bonito, muito completo, mas na hora de
participar de uma matança, “o bicho pega”.
A proposta do vegetarianismo no candomblé é
fazer de uma outra forma
Toda religião precisa evoluir,
senão fica estagnada e morre.
Afinal, alguém tem que começar,
né?
Matar os animais é algo que espiritualmente
não faz bem, pois você está tirando
a vida e depois comendo cadáveres. Não é
nada sadio espiritualmente falando. Além disso, principalmente
o frango e os animais que se compram em supermercados estão
cheios de hormônios. Um frango hoje em dia, de um
pintinho para um frango demora três dias. Isso é
um absurdo. Imagine o que isto não causa dentro do
organismo da pessoa. E ainda afeta a psique. Não
adianta você não fumar, não beber, não
tomar psicotrópicos e acabar consumindo por tabela
quando consome a carne. O efeito é o mesmo. Isso
faz também com que cada vez mais as pessoas tenham
câncer e outras doenças. O vegetarianismo,
ao contrário, é muito bom.
Se você come um alimento saudável,
vai ser uma pessoa saudável mentalmente também.
Te dá ânimo para fazer exercícios, você
se torna uma pessoa mais doce. Geralmente quem é
vegetariano não bebe, não fuma, é uma
consequência sine qua non. Vai limpando o seu corpo
Eu vejo também que quem mais se
interessa pelo vegetarianismo é o tipo de pessoa
mais intelectual. Mas com o meu trabalho como mãe-de-santo
eu consigo atingir outras classes mais sofridas, de gente
que vive com um salário, paga o aluguel e ainda tem
três ou quatro filhos.
A minha função é
encontrar uma nova forma de louvar os orixás sem
ofender os outros seres vivos”.